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Saúde

 
05out
05/10/11 - 11:02
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Por: adminvg

Tabagismo em recintos fechados

Falta de educação ou agressão direta a saúde do próximo?

A fumaça liberada por cigarros contém milhares de produtos químicos, tornado-se muito pior quando essa fumaça é liberada em ambiente fechado. Portanto, a queima de cigarro produz uma mistura complexa de poluentes, onde em sua grande maioria são potentes agentes irritantes e agressores do sistema cardiorrespiratório.

Com relação às atividades fisiológicas, a fumaça do cigarro contém 9,5 moles% de dióxiodo de carbono (CO2) e 4,2 moles% de monóxido de carbono (CO). Deve ser lembrado, que o sangue é o responsável de carrear o oxigênio (O2) a partir da captação pelas vias aéreas (nariz, boca) e esse oxigênio será transportado pelo sangue através dos glóbulos vermelhos (hemácias), pois elas contêm um elemento chamado hemoglobina que fixará essas moléculas de oxigênio. Cada hemoglobina consegue transportar até 4 moléculas de Oe esse transporte garante a quantidade ideal de O2 para as nossas célulasPorém, deve ser lembrado que a hemoglobina tem uma afinidada 240 vezes maior pelo monóxido de carbono (CO) do que pelo oxigênio (O2), e que a presença aumentada de CO dificultaria a chegada de O2 para todas as células do nosso organismo.

Além disso, é bem estabelecido na literatura científica, que a nicotina é um dos elementos mais abundante encontrado na fumaça do cigarro e que durante o processo de fumar a sua concentração é de 7-8 % do conteúdo total de fumaça emitido, podendo ser muito maior, se essa prática acontecer em recintos fechados, em virtude do espaço onde acontecerão as reações químicas e trocas gasosas, ser extremamente reduzido, aumentando em larga escala a potência tóxica desse elemento. Pois, existem diversos relatos de que a nicotina apresenta um efeito que provoca irritação dos brônquios (estrutura pulmonar responsável pela captação do O2 e troca com CO2), conhecida como broncoconstrição (contração exacerbada dos brônquios).

Devido à reação de todos esses elementos químicos citados anteriormente que apresentamos uma grande dificuldade de respirar quando estamos em ambientes fechados com fumaça de cigarro, pois o oxigênio perde a vez para o CO, e isso causa o aumento da velocidade de respiração e batimentos cardíacos, enquanto que a nicotina promove a irritação do sistema respiratório, podendo provocar tosses e sensação de asfixia devido à broncoconstrição.

No estudo de Smith e colaboradores (2001), constataram que pessoas que nunca fumaram, mas que permaneceram em um local semelhante ao ambiente de trabalho (escritório), e que inalaram fumaça de cigarro durante um dia inteiro (8:00 as 16:30), simulando um dia de jornada de trabalho, apresentaram todas as alterações fisiológicas citadas anteriormente, especialmente a broncoconstrição. O mais interessante nesse estudo é que os pesquisadores eram funcionários de uma empresa de tabaco e mesmo assim tiveram essa conclusão

Como destaque final, outro estudo realizado na Croácia por Mlinaric e colaboradores (2011) verificaram a incidência de doenças respiratórias (asma, rinite) em adolescentes que inalavam fumaça de cigarro, mas nunca haviam fumado (fumantes passivos) e relataram que esses jovens apresentavam mais incidência dessas doenças que os próprios fumantes e alegaram esse fenômeno ao maior tempo de exposição à fumaça.

Deste modo, deve ser destacado que fumar em ambiente fechado não seria somente um gesto de desrespeito ao convívio em comunidade, mas uma violenta agressão a saúde do indivíduo que não é tabagista e de acordo com a ciência pode ser mais prejudicado que o próprio fumante.

BIBLIOGRAFIA

Mello, PRB; Pinto, GR; Botelho, C. Influência do tabagismo na fertilidade, gestação e lactação.

J Pediatr (Rio J) 2001; 77 (4): 257-64.

Smith CJ, Bombick DW, Ryan BA, Morton MJ, Doolittle DJ. Pulmonary Function in Nonsmokers Following Exposure to Sidestream Cigarette Smoke. Toxicol Pathol. 2001 Mar-Apr;29(2):260-4.

Mlinaric A, Popovic Grle S, Nadalin S, Skurla B, Munivrana H, Milosevic M. Passive smoking and respiratory allergies in adolescents. Eur Rev Med Pharmacol Sci. 2011 Aug;15(8):973-7.

Davidson, J; Rafael Carrenho Batista, RC; Salviano, SAB. Efeitos cardiorrespiratórios imediatos do tabagismo. Pulmão RJ 2009;18(3):144-147.

Anderson Luiz B. da Silveira
Professor de Fisiologia do Exercício e Nutrição Esportiva – UFRRJ
Doutorando em Ciências Fisiológicas – SBFis/UFRRJ
Laboratório de Fisiologia e Desempenho Humano – DEFD/UFRRJ
Laboratório de Fisiologia e Farmacologia Cardiovascular – DCF/UFRRJ
 
23set
23/09/11 - 03:21
Em:
Por: adminvg

Obesidade Infantil: Culpa das gorduras ou da família?

Uma pesquisa feita pelo cientista Daniels e colaboradores (2005) descreveu que o aumento exacerbado de qualquer substância, produto ou alimento pode provocar a formação de uma reserva. Este fato também é possível de acontecer no corpo humano, e assim, contribuir para o desenvolvimento da obesidade. Alguns estudos confirmam esta hipótese, como o de Goran e colaboradores (1998) mostrando que o excesso de peso está atribuído a um inapropriado e excessivo consumo de alimentos, e também, o trabalho de Zanolli e colaboradores (1989) que relacionou o desenvolvimento da obesidade com a baixa quantidade de exercícios realizados.

Por conta deste aspecto, um grupo de investigadores buscou desvendar, de modo mais fidedigno, se a ingestão de alimentos calóricos poderia induzir o ganho de peso em crianças, independentemente de outros fatores. Neste sentido, Thompson e colaboradores (2004) acompanharam 101 crianças de 8 a19 anos, buscando observar a relação entre a ingestão de alimentos em lanchonetes e restaurantes e a modificação do Índice de Massa Corporal (peso(kg) / estatura(cm)2), da infância até a adolescência. Esses autores concluíram que as meninas que comiam fast foods (alimentos ricos em gorduras saturadas, gorduras trans e carboidratos simples) duas ou mais vezes por semana, apresentaram maior elevação do IMC ao longo do tempo.

O relato anterior deve ser encarado com preocupação, pois St-Onge e colaboradores (2003) descrevem que houve um aumento exacerbado do consumo de fast foods entre 1977 e 1996, além de mudanças nos hábitos alimentares influenciados pelos estabelecimentos que comercializam estes alimentos. Nicklas e colaboradores (2004) desconfiam que o crescimento no consumo de fast-foods poderia explicar em parte, o crescimento da obesidade infantil.

Deve ser destacado, que a composição da grande maioria dos fast-foods e dos alimentos voltados ao público infanto-juvenil não é composto de gorduras, como muitos acreditam, mas basicamente de um tipo de nutriente que é muito perigoso para o desenvolvimento da obesidade, representado pelo carboidrato simples de alto índice glicêmico (velocidade de entrada na corrente sanguínea). Isso pôde ser evidenciado em um estudo conduzido por Troiano e colaboradores (2000), onde verificaram que tanto o consumo de gorduras saturadas quanto o de colesterol exibiram reduções consideráveis de 1970 até 2004. Entretanto, mesmo com a redução desses nutrientes (gordura e colesterol) observou-se uma discreta elevação mundial da obesidade infantil no mesmo período. Mas houve um aumento considerável no consumo de alimentos ricos em carboidratos simples e com alto índice glicêmico. Os principais representantes desse grupo de alimentos são os refrigerantes, pães, bolos, biscoitos recheados, balas e doces em geral, onde os refrigerantes (bebidas carboidratadas) merecem destaque, por serem os mais consumidos especialmente por crianças.

Outro fator muito importante a respeito do desenvolvimento da obesidade é que a atitude familiar pode influenciar e até mesmo determinar os hábitos alimentares das crianças, por isso, os pais precisam ter uma grande atenção e responsabilidade sobre os alimentos que os filhos estão tendo acesso. Bell e colaboradores (2004) demonstraram uma atenção especial para este fato, observando o comportamento alimentar das crianças no ambiente escolar, através do tipo dos alimentos levados nas merendeiras. Foi relatado que havia um consumo muito grande de alimentos não saudáveis, em que as tortas, batatas-fritas, refrigerantes e sucos industrializados foram os principais representantes.

A partir deste estudo pode ser concluído, que atualmente os pais parecem não estarem preparados para educar nutricionalmente seus filhos, sendo os primeiros a contribuir para um péssimo hábito alimentar. Como exemplo, destaca-se os alimentos oferecidos como merenda escolar, descritos no estudo anterior. Esses fatos evidenciam, que a educação alimentar e a inserção do estilo de vida saudável realizada dentro da família aparentam ser uma das principais ferramentas de combate à obesidade e isto é reforçado na pesquisa realizada por Campbell e colaboradores (2006).

Em conclusão, observa-se que os maiores influenciadores da obesidade infantil no aspecto nutricional são os carboidratos simples e de alto índice glicêmico, Já no que diz respeito ao âmbito familiar, destacam-se a falta de orientação dos pais sobre os alimentos que devem ser consumidos e os hábitos não-sedentários que devem ser praticados pelos filhos.

 

Anderson Luiz B. da Silveira

PhD Student

 
 
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