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Eleições diretas e indiretas: entenda cada um dos ‘possíveis’ cenários

Imagem: Divulgação

Minoria no Congresso, esquerda tenta ‘mobilizar as ruas’ e busca nomes além de Lula. PMDB e PSDB querem que Parlamento eleja candidatos que concluam reformas de Michel Temer

Em Brasília, diante da crise política do Governo Michel Temer, cada lado trabalha para emplacar o cenário no qual pode ter mais vantagens. Enquanto a oposição ao Governo se articula nos bastidores para costurar a sucessão via eleições diretas, os governistas, incluindo o PSDB, se organizam para emplacar um próximo nome via eleições indiretas. Segundo matéria exclusiva do ‘El País’, se o segundo lado tem a força política, com a maioria no Congresso capaz de garantir que sua vontade seja feita, o primeiro quer “as ruas”, e começa a se mobilizar pelo grito de “Diretas Já!”. Mas quais são os cenários por trás de cada posição?

Pela Constituição, caso haja vacância do cargo de presidente e vice-presidente e o mesmo aconteça nos dois últimos anos do mandato, as eleições devem ser feitas pelo colégio eleitoral. No caso, pelos 513 deputados e 81 senadores

Pela Constituição, caso haja vacância do cargo de presidente e vice-presidente e o mesmo aconteça nos dois últimos anos do mandato, as eleições devem ser feitas pelo colégio eleitoral. No caso, pelos 513 deputados e 81 senadores

Reunidos em uma frente única, que pede a saída imediata do presidente e eleições diretas, estão seis partidos, que em várias votações recentes atuaram em campos opostos: PT, PSOL, Rede, PDT, PSB e PCdoB tentam aprovar de forma relâmpago uma mudança constitucional que permita, caso Temer caia, que seu sucessor seja decidido por voto popular. Atualmente, a Constituição prevê que caso a vacância do cargo de presidente e vice-presidente aconteça nos dois últimos anos do mandato, as eleições sejam feitas pelo colégio eleitoral (513 deputados e 81 senadores).

Duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que pretendem mudar isso tramitam no Congresso. Uma, na Câmara, quer que haja eleições diretas quando a vacância ocorre até seis meses antes do final do mandato e está sendo obstruída pelos governistas. A segunda, mais próxima da votação no Plenário, está no Senado, e permite eleições diretas nos três primeiros anos do mandato vago – este cenário, entretanto, só valeria para Temer se ele saísse ainda neste ano, algo difícil caso a queda se dê por um processo de impeachment, mais longo. Em ambos os casos, o eleito cumpriria um mandato-tampão até as eleições de 2018. Na PEC do Senado ainda há uma regra que prevê que, se aprovada, ela seria imediatamente válida, limando a necessidade de que se espere um ano para a aplicação da mudança, como prevê atualmente a legislação eleitoral.

Qualquer um dos dois cenários dificilmente prosperará no Congresso no cenário atual. Os parlamentares que preferem eleições diretas formam uma minoria e perdem para partidos que sabem que seus nomes têm muito mais chances de chegar à Presidência se escolhidos pelos próprios parlamentares. A situação só muda, afirma a própria oposição, se a pressão das ruas for grande. Por isso, eles articulam protestos nas ruas, como o da última quarta-feira, com as centrais sindicais, que acabou em violência na Esplanada dos Ministérios, e o deste domingo (28), no Rio de Janeiro. Uma versão artística igual está sendo planejada para São Paulo nos próximos dias.

‘Oposição’ nada unida

Mas se as chamadas forças progressistas do Congresso concordam diante destas bandeiras iniciais, dificilmente elas se unirão para apoiar um único candidato. “Como seria uma eleição sem palanques estaduais (e, por isso, sem a necessidade de alianças locais entre partidos) é natural que o cenário seja o de uma eleição pulverizada, com candidatos de vários campos”, explica o deputado Alessandro Molon (Rede).

No PSOL, o nome a ser levado aos eleitores poderia ser o do deputado Chico Alencar, o quarto deputado federal mais votado no Rio de Janeiro em 2014 (com 195.000 votos). Apesar de Alencar já ter manifestado nos bastidores que não gostaria mais de disputar mandatos parlamentares, nos bastidores também se afirma que o partido pondera internamente se nomes vindos do movimento social poderiam ter mais chances neste momento. Neste caso, Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) poderia ser uma opção, mas suas chances seriam menores no caso de uma disputa com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem a preferência dos movimentos sociais, mesmo segmento que impulsionaria as chances de Boulos.

A Rede tem o nome de sempre: Marina Silva. Terceira candidata mais votada nas eleições presidenciais de 2014, e a única dentre os mais bem votados naquela eleição que não teve sua imagem abalada – Dilma Rousseff (PT), a vencedora, sofreu impeachment, e Aécio Neves (PSDB) viu suas possibilidades implodirem ao ser atingido pela Lava Jato. Mas há setores da Rede que ponderam se lançar um nome forte como o dela para um mandato-tampão não seria um desperdício, já que, mesmo se considerando uma posterior reeleição, a duração total do mandato seria de cinco e não de oito anos. Por isso, o senador Randolfe Rodrigues (Rede) já planeja apresentar uma emenda à PEC que tramita no Senado, antecipando as eleições presidenciais de 2018.

A mesma ponderação fazem alguns setores do PT, em relação ao presidente Lula, apesar de isso não ser assumido oficialmente. Dentro dos partidos da base progressista, hoje unida, há quem veja o partido com desconfiança. Para alguns, o PT se beneficiaria mais se o Governo Temer se arrastasse na crise, garantindo um cenário propício para a volta de Lula, como um salvador, em 2018. Há um fator a se ponderar, entretanto: Lula é réu na primeira instância em cinco ações por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro e, a depender do ritmo das investigações, poderá se tornar inelegível até as próximas eleições presidenciais do ano que vem. Por isso, a antecipação das eleições também poderiam beneficiá-lo, pois diminuiria o tempo para qualquer condenação tirá-lo da disputa.

Publicamente, entretanto, nada disso é levantado pelo partido.

No último protesto dos sindicalistas da última quarta-feira, porém, o pedido de eleição direta para presidente tinha um claro beneficiário: Lula. Pelas ruas, centenas de pessoas vestiam camisetas com a foto do petista e os dizeres: “O cara ‘tá’ voltando”. Enquanto isso, em ao menos cinco dos 12 carros de som que seguiram o protesto, os locutores dirigiam palavras de ordem contra Temer e Henrique Meirelles, o ministro da Fazenda apontado pelos militantes como o candidato do mercado financeiro e da grande mídia brasileira.

A saída Lula é, de fato, a principal, ou a única, possibilidade de o PT retomar o poder em um curto prazo. A esperança petista resume-se principalmente nas últimas pesquisas. O ex-presidente lidera a corrida eleitoral nos quatro cenários pesquisados pelo Datafolha no qual ele é o nome petista para a presidência. E esse é justamente o fator que faz com que as forças mais conservadoras da sociedade repudiem a ideia de “Diretas Já”. Creditam a tentativa da oposição de mudar a Constituição a uma manobra para que Lula volte ao poder.

Indiretas e possíveis nomes

No mesmo momento em que os debates sobre eleição direta caminham a passos lentos, nos bastidores do Congresso Nacional crescem as discussões sobre um eventual substituto de Michel Temer. A bolsa de apostas cresce a cada dia e, depois de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aparecer como favorito, outro nome que cresce é o do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Presidente interino dos tucanos, Jereissati é bem aceito no Senado, mas não tem tanto apoio na Câmara. Ele nega pretensões em substituir Temer e sabe que tem dificuldades em apresentar sua candidatura. Os deputados, que são a maioria dos eleitores (513 dos 594 do colégio eleitoral), querem eleger um dos seus para a função. Outro nome do PSDB levantado é o de Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, o maior Estado do país. Aventam-se, ainda, a possibilidade de o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, além dos senadores Armando Monteiro (PTB-PE) e Ronaldo Caiado (DEM-GO). Em comum entre todos eles, seria o perfil reformista, ou seja, levariam a cabo as votações que ainda faltam para a reforma trabalhista, além da reforma da Previdência. A oposição alfineta, também, que são todos nomes que jamais seriam eleitos diretamente por não estarem alinhados a interesses populares, e sim mais ligados a demandas empresariais.

Se a eleição for indireta, dificilmente Lula será candidato, apesar de as atuais regras o autorizarem. Isso porque suas chances de vitória, em um Congresso majoritariamente de oposição a ele neste momento, seriam muito pequenas. As legendas de esquerda ainda discutem o que podem fazer neste cenário eleitoral, mas a tendência tanto no PSOL quanto na Rede é que as legendas se retirem da votação em protesto, para passar o recado de que não legitimam o colégio eleitoral. Gilberto Carvalho, ex-ministro petista e nome bastante ligado a Lula, afirmou em uma entrevista na GloboNews que o PT pode seguir pelo mesmo caminho.

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Fonte: El País

10 comentários

  1. 600cv disse:

    Esta impossível de decidir qual o melhor seria para os brasileiros,porque nas eleições indiretas são aqueles que estão na maioria que é da base aliada do temer no caso do rodrigo maia ou tassi gereissati e nas eleições diretas esta lado de fora do congresso esta o mais indicado é o lula.MILITAR JÁ!!

  2. Herman Joao Froeder Neto disse:

    Na desbragada crise em que se meteu o país por conta desses salafrários s(politicos corruptos e mpresários gananciosos e muito burros), a melhor saída ainda é a CF. E ela é clara quanto a isso: eleições indiretas para mandato-tampão. O resto é arranjo paroquial para agradar seu vigário.Ou vigarista?

  3. Elias disse:

    As tais “Diretas Já” é um golpe contra a constituição e também uma maneira de abrir uma porta de fuga para Lula,visto que a urna eleitoral será fraudada como já foi uma vez.

    1. MILSON disse:

      ESSAS URNAS FORAM FEITAS PARA FRAUDAR AS ELEIÇÕES. SÓ ELEGE NA SUA MAIORIA CRIMINOSOS.

  4. José Carlos Baleixo disse:

    Ao que parece nenhum dos interessados está preocupado com isto. Como de praxe, só pensam em si e nos seus interesses. É a fome, a sede, a gana pelo Poder e o que ele pode proporcionar, diga-se, propinas, negócios escusos. Que a população não caia nessa e pense bem em quem vai votar. FORA CORRUPTOS.

  5. José Carlos Baleixo disse:

    Querem tirar Henrique Meireles. Mas ele não era o preferido do Lula para ajudar a Dilma? Agora não serve mais? Só porque está ajudando o outro lado a fazer o que Lula queria que fosse feito? E Eleições Diretas para um mandato de UM ANO? Compensa o gasto financeiro e os transtornos com organização?

    1. PEDRO ACREANO disse:

      Compensa irmão José…Este povo faz milagre no bolso deles com o nosso dinheiro…Como nós acreanos dizemos: é dinheiro no balde….

  6. mauro disse:

    A NAÇÃO REPROVA MAIS DE 90% DESTES LARÁPIOS QUE ESTÃO NO PODER A MAIS DE 30 ANOS COMO PARASITAS SUGANDO O SANGUE HONESTO DE CADA CIDADÃO DESTA NAÇÃO E INADMISSÍVEL ACEITÁ-LOS COM TANTA DESFAÇATEZ ELES SE REUNEM NAS SOMBRAS PRA TENTAR ENGANAR A NAÇÃO MAS ESTÃO ENGANADOS NOS SEUS PENSAMENTOS NOCIVOS.

  7. mauro disse:

    E INACEITÁVEL ESSA DECISÕES ESCUSAS A NAÇÃO ESTA MONITORANDO CADA PASSO POLITICO E DECISÕES ALOUCADAS QUE ESSE GOV DAS TESOURAS FABIANISTA GRAMCISTA COM OUSADIA ESTÃO NAS SOMBRAS QUERENDO PERPETUAR-SE NO PODER PRA ALCANÇAR SEUS MAUS INTENTOS E SE SAFAR A POPULAÇÃO JAMAIS CONFIA NESTA URNA COMUNISTA.

  8. JEFERSON disse:

    A BANCADA DA CHUPETA E DO MIMIMI QUE ESTÃO POR TRAS DESSE ENGODO DE ELEIÇÕES DIREITAS. ESTÃO TENTANDO VOLTAR AO PODER, E AGORA SIM, COM UM GOLPE. INSUFLAN OS MORTADELAS ATRAVES DOS TENTACULOS DO LULA, QUE SÃO: CUT, MTST, MST, UNE e UBES.

Comentários encerrados.