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25/05/12 - 11:25
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Por: pauladamas

Exigência de famílias com relação a perfil da criança dificulta adoção

Os abrigos que acolhem crianças e adolescentes no país estão cheios, mas ainda assim famílias esperam anos na fila para adotar um filho. A demora nos processos de destituição do poder familiar, em que os pais perdem a guarda e a criança pode ser encaminhada à adoção, explica em parte esse fenômeno. Outro motivo é a discrepância entre o perfil das crianças disponíveis e as expectativas das famílias.

A maior parte dos pretendentes procura crianças pequenas, da cor branca e sem irmãos. Dos 28 mil candidatos a pais incluídos no Cadastro Nacional de Adoção, 35,2% aceitam apenas crianças brancas e 58,7% buscam alguma com até 3 anos. Enquanto isso, nas instituições de acolhimento, mais de 75% dos 5 mil abrigados têm entre 10 e 17 anos, faixa etária que apenas 1,31% dos candidatos está disposto a aceitar.

Quase mil crianças e adolescentes já foram adotados por meio do cadastro, criado em 2008. Antes da ferramenta, que é administrada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), as unidades federativas tinham bancos de dados próprios, o que dificultava a troca de informações e a adoção interestadual.

Para o juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça Nicolau Lupianhes Neto, é possível perceber uma mudança na postura das famílias pretendentes, que têm flexibilizado o perfil buscado. A principal delas diz respeito à faixa etária: antes a maioria aceitava apenas bebês, mas hoje a adoção de crianças até 4 ou 5 anos de idade está mais fácil.

“A gente observa que isso tem mudado pelos próprios números do cadastro, mas essa transformação não vai acontecer da noite para o dia porque faz parte de uma cultura”, aponta o magistrado. Uma barreira difícil de ser superada ainda é a adoção de irmãos. Apenas 18% aceitam adotar irmãos e 35% dos meninos e meninas têm irmãos no cadastro. A lei determina que, caso a criança ou adolescente tenha irmãos também disponíveis para adoção, o grupo não deve ser separado. Os vínculos fraternais só podem ser rompidos em casos excepcionais, que serão avaliados pela Vara da Infância.

Diretora do abrigo Lar da Criança Padre Cícero, Maria da Glória Nascimento, é exemplo de dedicação e amor

Outros fatores são entraves para que uma criança ou adolescente seja adotado, entre eles a presença de algum tipo de deficiência física ou doença grave, condição que atinge 22% dos incluídos no cadastro. Bianca* tem 5 meses de idade e chegou com poucos dias de vida ao Lar da Criança Padre Cícero, em Taguatinga, no Distrito Federal. A mãe, usuária de crack, tentou fazer um aborto e Bianca ficou com sequelas em função das agressões que sofreu ainda na barriga. Ela tem paralisia cerebral parcial. Apesar da deficiência, é uma menina esperta, ativa e muito carinhosa. Os médicos que acompanham o tratamento de Bianca no Hospital Sarah, em Brasília, estão animados com a sua evolução, segundo a assistente social Renata Cardoso. “Mas a gente sabe que no caso dela a adoção vai ser difícil”, diz. (*O nome foi trocado em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA).

Aos 37 anos, Renata sabe muito bem como é a realidade das crianças que vivem nos abrigos, mas têm poucas chances de serem adotadas. Ela chegou ao Lar da Criança Padre Cícero aos 7 anos de idade, com três irmãos. Órfãos de mãe, eles não podiam morar com o pai, que era alcoólatra. Houve uma tentativa de reintegração quando o pai se casou, mas ela e os irmãos passaram poucos meses na casa da madrasta e logo retornaram para a instituição. “Não deu certo”, lembra. Dois de seus irmãos saíram do abrigo após completar 18 anos e formaram suas próprias famílias. Renata quis continuar o trabalho de Maria da Glória Nascimento, a dona Glorinha, diretora do lar. Ela nunca foi adotada oficialmente por Glorinha, mas ela e os irmãos são tratados como se fossem filhos biológicos.

“Com o tempo, a gente sentiu que ela ia cuidar da gente como filho. Não tive vontade de ir embora, nunca vi aqui como um abrigo, sempre vi como minha casa e ela (Glorinha) como minha mãe. Ela sempre ensinou que nós iríamos crescer para cuidar dos menores e foi assim”, conta.

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* Com informações da Agência Brasil

 

6 Comentários

  1. Pra. Rosane Costa disse:

    Pela graça de Deus sou mãe de duas filhas biológicas,mais existe dentro de mim um grande sonho de amor q é ter varias casas de apoio á velhinhos e crianças abandonadas,porque ao passarmos nas ruas nós gememos de dor ao ver o guadro de profunda miséria q se arrasta no nosso paiz,pessoas gritando pedindo ´´Socorro´´crianças expecificamente,responsabilizar o governo á fazer tudo ñ da,aborto nunca foi a soluçao,se amarmos o proximo nós vamos intenssamente desejar,sonhar e procurar,agir de algum modo

  2. Eliata Ester da Silva disse:

    Eu não concordo com famílias que impõem essas condições para a adoção de uma criança. Ela precisa de amor e não de quem as classifiquem de acordo com sua cor, idade ou saúde. Nunca morei em um abrigo, mas sei que uma criança necessita de uma família que a ame e lhe dê carinho e atenção, e pricipalmente, alguém que a mostre o caminho para o céu.

  3. Regilane Oliveira disse:

    O mais importante é o amor!

  4. Luiz Roberto disse:

    INFELIZMENTE O NOSSO PAIS NO FORÇA A VIVER NA ILEGALIDADE, EU TENHO UM FILHO QUE NÃO É BILOGICO E HOJE ELE TEM 20 ANOS, NA EPOCA EU NÃO LEGALIZEI COM MÊDO DA IN- JUSTIÇA-
    ME TOMAR ELE. ESSAS PESSOAS QUE FICAM ESCOLHENDO, JÁ QUE SÃO BONS DEMAIS FAÇAM-FILHOS BIOLOGICOS E ESCOLHAM TODAS AS CARACTERISTICAS….ESTÃO QUERENDO É FAZER
    PAPÉL DE DEUS. AMO MEU FILHO DEMAIS.

  5. rozana disse:

    O amor não tem raça nem cor nem idade,quem ama,ama sem interesse sem preconceito.Fui adotada e posso falar, sou grata a DEUS que a família que me adotou não fez nenhum tipo de exigência,porque eu estava doente e muito mal amada e mal cuidada.Se eles não quiesessem uma filha mas um brinquedo eu seria descartada,mas o amor que havia neles foi um amor sem preconceito que só DEUS pode dar.Por isso não acredito no amor de quem escolhe.A bíblia é bem clara ama teu próximo como a ti memso.

  6. Carlos Alberto disse:

    Eu gostaria de ser pai (quero ser pai), mesmo que seja o que cria ou criou, PARA ENSINAR OS CAMINHOS DO SENHOR E DAR GRANDE AMOR…

 
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