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‘Lean': Chega ao Brasil droga à base de codeína; nº de mortes por overdose aumentou

No Brasil, o lean se tornou famoso em 2015, e vem sendo potencializado por aparições em clipes de trap americanos. Mistura de anestésico contra dores, antialérgico, refrigerante e balas de goma apresenta riscos fatais, além de desencadear problemas como hepatite, gastrite, hipertensão arterial, acidentes vasculares e infecções

No Brasil, o ‘lean’ se tornou famoso em 2015, e vem sendo potencializado por aparições em clipes de trap americanos. Mistura de anestésico contra dores, antialérgico, refrigerante e balas de goma apresenta riscos fatais, além de desencadear problemas como hepatite, gastrite, hipertensão arterial, acidentes vasculares e infecções

Policias e paramédicos socorrendo indivíduo em overdose nos EUA. O país registra quase 150 óbitos por dia devido ao uso de opioides, o que se igualaria à quantidade de mortos nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 a cada três semanas

Policias e paramédicos socorrendo indivíduo em overdose nos EUA. O país registra quase 150 óbitos por dia devido ao uso de opioides, o que se igualaria à quantidade de mortos nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 a cada três semanas

Você já ouviu falar de “lean”? A bebida que mistura codeína, refrigerante e balas de goma tem se tornado cada vez mais popular entre jovens de diferentes países. Criada nos Estados Unidos, durante a cena do  blues, em 1960, é também conhecida como purple drank, sizzurpe e syrup , e pode levar pessoas à síndrome de abstinência e até mesmo à morte.

No Brasil, o lean se tornou famoso em 2015, e vem ganhando potência por sua predominante aparição em clipes de trap norte-americanos, em que  rappers aparecem com copos de isopor brancos cheios de gelo e, claro, a “bebida roxa”. Em sua composição, além da codeína, que é um derivado do ópio usado como anestésico contra dores moderadas e graves e em tratamentos oncológicos, usa-se prometazina, um antialérgico que aumenta o efeito de sedação.

De acordo com um levantamento realizado pelo site americano Motherboard, o consumo de purple drank chamou a atenção do governo dos EUA depois de registros numerosos de mortes por overdose. Segundo o relatório oficial da comissão presidencial, cerca de 142 pessoas vêm a óbito por dia devido ao uso de opioides, o que se igualaria à quantidade de mortos nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 a cada três semanas.

Leia também: ONU classifica de epidemia mortes por overdose de drogas nos EUA

História, efeitos e overdose

'Purple drank' é uma mistura de xarope para tosse com álcool, antiistamínicos ou antialérgicos e refrigerantes

‘Purple drank’ é uma mistura de xarope para tosse com álcool, antiistamínicos ou antialérgicos e refrigerantes

Apesar de ter sido desenvolvida no final dos anos 1960, em Houston, no estado americano do Texas, foi somente em 1990 que a bebida começou sua ascensão de fato, em paralelo com o crescimento da cultura hip hop e com as frequentes menções feitas pelo produtor musical DJ Screw, que morreu por overdose de codeína em 2000.

A coordenadora da Comissão de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria, Dra. Ana Cecília Marques, explica que a ingestão do  purple drank pode causar diferentes efeitos, sendo o de bem-estar e relaxamento os mais comuns. Ela alerta que, se ingerido excessivamente, as sensações podem ser contrárias, levando o indivíduo a um sono profundo e até mesmo ao coma.

A médica ainda adverte que a junção do álcool com drogas derivadas do ópio pode aumentar esses efeitos, tornando-os fatais. “Se o uso for crônico, todos os sistemas do corpo são acometidos, o que pode gerar inflamações como hepatite, gastrite, colite, neurite, hipertensão arterial, acidentes vasculares e infecções de repetição, principalmente respiratórias”.

Outra questão levantada é o perigo do consumo de antibióticos, especialmente por causa das superbactérias, que enfraquecem o sistema imunológico e cessam a eficácia de tratamentos à base de medicamentos como esse. Para a nutróloga Ana Luisa Vivela, o syrup não desencadearia esse risco, sendo prejudicial ao organismo de cada pessoa de maneira particular.

Para ela, há chances de propagação de superbactérias em indivíduos que já estejam com infecções, mas que, no geral, o maior risco trazido pela “bebida roxa” está ligado a questões cardiovasculares. “Qualquer substância ingerida sem dosagem e prescrição médica pode ser nociva, principalmente para jovens e adolescentes que não sabem o que estão consumindo. A superbactéria geralmente é contraída em ambientes hospitalares, assim, para evitar este e outros problemas, o aconselhável é não ingerir codeína, que é muito perigosa por ser uma substância que se transforma em morfina”, alega.

O consumo contínuo da mistura de glicose e compostos químicos ainda pode provocar síndrome de abstinência, como já relatada pelo rapper Lil Wayne. Em entrevista a diferentes veículos americanos, o cantor de 35 anos diz passar mal se ficar um dia sem tomar sizzurp. “É como se você sentisse a morte no seu estômago quando para de usar”, explica.

Em 2016, após ser hospitalizado e preso, o cantor americano Gucci Mane também veio a público alertar os jovens sobre o consumo da mistura. Em sua página do Twitter, ele disse: “Me arrependo muito! Tomo lean faz dez anos e tenho que admitir que isso me destruiu. Quero ser o primeiro rapper a assumir que é viciado e dizer que isso não é brincadeira. Eu mal consigo lembrar das coisas que fiz ou falei. Logo irei para reabilitação porque sei que preciso de ajuda”.

Outros casos que terminaram de forma ainda mais trágica são os de Pimp C e Big Moe, que faleceram em 2007 por overdose de codeína. O caso mais recente é o do rapper Fredo Santana, que morreu aos 27 anos no começo de 2018 pelo mesmo motivo.

É importante mencionar que não há estimativas concretas que evidenciem a quantidade de mortes causadas pela droga preparada com o pró-fármaco descendente da semente do ópio. Entretanto, alguns casos mostrados na mídia têm contribuído para que a vigilância acerca do medicamento seja maior.

Usuário brasileiros

A reportagem do  ‘iG’  conversou com jovens na faixa etária entre 18 e 24 anos, que não quiseram ser identificados e relataram ter experimentado a droga apenas por curiosidade, sem saber de seus efeitos colaterais. Um deles conta que “começou a ingerir codeína sem ao menos saber o que era”, e que preferiu parar o uso “depois de saber se tratar de um sintético”.

Já outro relata ter “improvisado” o drink com o xarope para tosse de sua avó quando ainda era criança, pois “queria imitar os rappers”. Ele diz que, atualmente, a bebida lhe proporciona uma sensação de tranquilidade agradável, “muito diferente da despertada pelo álcool”.

“Para mim, além de saboroso, o lean traz uma vibe boa, o que não acontece com o álcool, que também consumo frequentemente. Percebo que, com bebida alcoólica, eu fico chato e estressado, já o purple drank me faz relaxar e me ajuda a dormir, o que é bem difícil no cotidiano. Eu tenho consciência de que não é certo, mas eu tomo com moderação, sei que é perigoso”, conclui.

Fiscalização brasileira

No Brasil, a codeína é fiscalizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que a classifica como um entorpecente. Vendida apenas com receita médica especial, a Anvisa conta com a ajuda das autoridades de estados e municípios, ligadas às respectivas secretarias de saúde, para a realização do controle da substância, que, na atualidade, vem sendo burlado em diferentes regiões.

A falsificação de receitas e o tráfico da substância pelas redes sociais, por exemplo, se tornaram um agravante na supervisão realizada pelas autoridades. Em junho do ano passado, a Polícia Federal (PF) cumpriu dois mandados de busca e apreensão em uma investigação acerca do comércio ilegal de purple drank em Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina. Dois garotos foram apontados como suspeitos de produzir a droga em suas residências e vendê-la em uma rede social.

De acordo com a PF, pelo fato de a bebida ter a codeína como principal ingrediente, o caso foi considerado tráfico de entorpecentes, em que a pena pode chegar a 15 anos de prisão.

Para a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, a desinformação é um dos principais fatores que cercam a produção e o consumo do lean. O órgão expõe não existir tratamentos clínicos específicos, contudo, é importante que todos que necessitam de ajuda para problemas de dependência química busquem auxílio nas unidades regionais do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

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Fonte: iG

5 comentários

  1. KATE ALVES DAMASCENA disse:

    brasileiro tem mania de copiar todas as porcarias que vem dos estados unidos, por que não copiam as coisas boas que vem da Europa como cultura e educação? escrevi com letra minúscula mesmo o nome desses 2 países que gostam só do que não presta.

    1. levi varela disse:

      Copiamos a religião católica, da Itália. Copiamos o marxismo, da Alemanha.Copiamos a violência do futebol, em especial a da Inglaterra.Muitos países copiam o nazismo e facismo alemão e italiano. Copiamos o estilo de comunismo da Rússia, os bancos suíços, e a expulsão dos judeus pelo imperio romano

  2. levi varela disse:

    pela insolência e omissão do serviço público. Onde resido há festas que são chamadas de reives em que há drogas sendo vendidas até a menores, cadê o ESTADO?

  3. levi varela disse:

    Quem estiver sob efeito de qualquer droga, deve ser encaminhado para um unidade hospitalar. Quem chegar sob o efeito, este sequer acessa ao ambiente, e também ser enviado para ser objeto de exames e desintoxicação, queira ou não, enfim, evitar que o mal cresça, pois o povo é que paga via impostos

  4. levi varela disse:

    As autoridades parece que não mais revistam as festas, outrossim, para evitar o uso, deveria o estado criar leis que somente sejam dadas festas com autorização oficial, daí sejam enviados a tais lugares pessoas da área médica para acompanhar possíveis drogados, enfim, faça-se o estado presente.

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