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13/03/12 - 09:27
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Por: pauladamas

Programa de TV que entrevista condenados à morte faz sucesso

Semanalmente, na província de Henan, no centro da China, milhões de pessoas assistem a um extraordinário programa de televisão intitulado, em tradução literal, “Entrevista Antes da Execução”. Nele, a repórter Ding Yu entrevista assassinos condenados à morte.

Para garantir o entrevistado da semana, Ding e sua equipe vasculham relatórios publicados por tribunais à procura de casos. Os jornalistas têm de agir rápido, porque os prisioneiros podem ser executados sete dias após receberem a sentença.

Aos olhos ocidentais, um programa desse tipo pode parecer uma exploração, mas Ding não concorda. ”Alguns telespectadores podem considerar cruel pedir a um criminoso que conceda uma entrevista quando está prestes a ser executado. Pelo contrário, eles querem ser ouvidos”, diz.

“Alguns criminosos que entrevistei me disseram: ‘Estou realmente muito satisfeito. Eu disse a você tantas coisas que trazia no meu coração. Na prisão, não havia alguém com quem eu quisesse falar sobre acontecimentos do passado’”, conta a jornalista.

O programa foi transmitido pela primeira vez no dia 18 de novembro de 2006 no Canal Lega de Henan, uma entre as 3 mil estações de TV estatais da China. Ding vem entrevistando um prisioneiro por semana desde então. O objetivo, segundo a produção do programa, é encontrar casos que servirão como um alerta para outras pessoas. Um slogan repetido no início de cada programa pede que a natureza humana acorde e “perceba o valor da vida”.

Na China, 55 crimes podem ser punidos com a pena de morte, entre eles, assassinato, traição, rebelião armada, suborno e contrabando. Recentemente, 13 delitos deixaram de ser puníveis com a pena de morte, entre eles, contrabando de relíquias e alguns tipos de fraude.

O programa, entretanto, tem como foco exclusivo os assassinatos violentos.

Avisos

Prisioneiros políticos ou casos onde existe dúvida sobre a autoria do crime não são incluídos no programa. E a equipe tem de obter o consentimento do tribunal superior de Henan antes de cada entrevista. ”Sem esse consentimento, nosso programa terminaria imediatamente”, disse Ding à BBC.

As transmissões ocorrem nos sábados à noite. Com quase 40 milhões de telespectadores, o programa está entre os dez mais vistos da província, onde vivem cem milhões de pessoas.

Após mais de 200 entrevistas, Ding Yu é hoje uma estrela, conhecida por muitos como “a bela com as feras”.

Se as pessoas não prestam atenção aos avisos que o programa oferece, ela diz, então devem sofrer as consequências. ”Sinto pena e lamento por eles. Mas não tenho simpatia por eles, porque devem pagar um preço alto por seus erros. Eles merecem (a punição)”.

Muitos dos casos apresentados no programa são motivados por dinheiro e um caso em particular chamou a atenção de Ding. Os criminosos eram um casal de namorados – jovens, educados e com nível superior. O plano envolvia roubar os avós da condenada, mas não deu certo. O condenado, Zhang Peng, de 27 anos, acabou matando os avós da namorada.

Homem acusado de matar a mãe foi o primeiro homossexual que a jornalista conheceu

“Eles eram tão jovens. Nunca tiveram a oportunidade de ver o mundo, ou de desfrutar da vida, da carreira, do trabalho ou do amor à família. Fizeram a escolha errada e pagaram com suas vidas”, diz a jornalista. No entanto, após tantas entrevistas, poucas coisas a surpreendem. “Já entrevistei criminosos ainda mais jovens do que aquele estudante, alguns tinham apenas 18 anos. Esta é a idade mínima em que você pode ser condenado à morte”.

Foi a primeira vez que Ding encontrou um homossexual assumido. “Foi a primeira vez que encontrei um homossexual, então não pude aceitar suas ações, palavras e práticas”, afirma. “Embora ele fosse um homem, perguntou-me com um tom muito feminino: ‘Você se sente estranha falando comigo?’ Na verdade, me senti muito estranha”. A homossexualidade ainda é um grande tabu na China. Por isso, em 2008, quando o programa apresentou o caso de Bao Ronting, um homossexual que havia matado a mãe, índices de audiência chegaram ao pico.

Ding e sua equipe fizeram mais três programas sobre o caso de Bao Ronting e o acompanharam até o dia de sua execução, em novembro de 2008. Durante esses encontros, Bao perguntou a Ding: “Eu vou para o céu?”. Refletindo sobre essas palavras, ela diz: “Eu sou testemunha da transição entre vida e morte”.

No dia de sua execução, Bao Ronting foi exibido pelas ruas, em cima de um caminhão, com uma placa pendurada em seu pescoço detalhando seu crime. A prática é ilegal na China hoje, mas a lei nem sempre é respeitada.

Brandura e rigor

O juiz Lui Wenling, que dá consultoria à produção do programa, disse que as coisas estão mudando no sistema legal chinês. “A política criminal na China é matar menos e com mais cautela e combinar brandura com rigor”. “Isso quer dizer, se o caso é apropriado para um tratamento brando, seja brando, e se o caso deve ser tratado de forma rigorosa, dê uma punição rigorosa”.

Ding cobriu recentemente o caso de Wu Yanyan, uma jovem mãe que matou o marido após ter, supostamente, sofrido anos de abusos. Inicialmente, ela foi condenada à morte pelo assassinato mas, desde 2007, todo veredito de execução na China tem que ser aprovado pelo Supremo Tribunal.

O tribunal decidiu que os abusos constituíam circunstâncias atenuantes e retornou o caso várias vezes ao tribunal local, até que a sentença de morte fosse suspensa.

Ding visitou a prisão com a filha de Wu Yanyan para um emocionante reencontro. Se a jovem mãe continuar a se comportar bem na prisão, pode, após dois anos, acabar sendo libertada – um pequeno sinal de que as coisas estão mudando na China.

O juiz Pan, um dos mais liberais do país, assim como algumas outras importantes autoridades do judiciário chinês, anteveem mais reformas de grande alcance no sistema futuramente. “Uma vida pode terminar em um piscar de olhos após um julgamento. Eu diria que isso é também muito cruel”, disse Pan.

“Deveríamos abolir a pena de morte? Uma vez que a sentença de morte para criminosos é em si mesma um ato violento, deveríamos aboli-la. Entretanto, não acho que nosso país esteja pronto ainda”, conclui o juiz.

Fonte: BBC Brasil

 

13 Comentários

  1. Valtamiro W. Santana disse:

    Lá eles matam homossexuais. Será que o Tony Reis e seu companheiro inglês, o Deputado Jean Willis, e outros tantos desse time, não querem ir morar na China? Estou disposto a contribuir nas despesas de viagem se eles resolverem trocar de ares. Vejam que lá na China esta faltando mulheres devido sua politica de natalidade, então chineses estão buscando esposas em países vizinhos, quem sabe a turma dos acima citados não iria se dar bem, já que eles são chegados, mas cuidado lá as bibas morrem.kkk

  2. Fabiano Azevedo disse:

    Sou favoravel as entrevistas, posto se eu estivesse no lugar destes condenados gostaria de relatar a minha verdade dos fatos. Mais sou absolutamente contra, se eles tiverem de dar a entrevista contra o seu livre arbitrio; ou seja, contra a vontade deles. O programa me parece uma oportunidade ao condenado… Claro não descartamos os carniceiros propagandistas.

  3. John disse:

    Que maravilha! O sujeito antes de ir pra degola é obrigado a dar um show de audiência e faturar uns comerciais pra enriquecer os sádicos empresários. Só faltava dar tambem o dízimo dessa fatura ao Macedo, Panceiro e Clodomir – os bispos mais debochados que eu já vi.

  4. Emerson disse:

    A pena de morte existe no Brasil e em todo o mundo. Todo aquele que não se arrepender de seus pecados, perecerá. Terá morte eterna, queimará no fogo do inferno eternamente, e as pessoas não se dão conta disso, tem muito crente que Lê a palavra e continua vivendo uma vida de pecado, achando que vai para o céu, cuidado, se vc não se consertar não vai para o céu, você vai perecer.”Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera morte. “Tg 1.15

  5. alex disse:

    olho por olho dente por dente

  6. priscila disse:

    Absurdo! Absurdo!Cruelmente absurdo!

  7. Yohan disse:

    Quero que a China mude, ou melhor, continue mudando, pena de morte é muito grave, perder a vida por um erro, se esse erro for grave, muito, muito grave, uma pena de cadeia perpetua ou tipo 80 a 100 anos de prisão. Mas morte discordo totalmente. E também acho que se deve separar os presos comuns dos muito perigosos, como gente que bateu em alguem e assasinos perigosos. Que Deus ajude a China a mudar esse sistema jurídico.

  8. Carla disse:

    Eu queria que essa lei vigorasse aqui no Brasil,morreria muitos pobres, porem outros pensariam duas vezes antes de cometerem algum delito.

  9. Adriane - Estados Unidos disse:

    Sou a favor da pena de morte, porem sou contra a esse programa de TV que entrevista condenados a morte. Para quer expor essas pessoas? Que os criminosos paguem pelos seus crimes, mas o governo chines nao deveria permitir que essas mesmas pessoas sejam expostas. Que absurdo!

  10. Joubert disse:

    Sou a favor da pena de prisão perpétua em regiões agrícolas ou algo deste tipo. O atual sistema prisional é terrível pois deixa os presos ociosos e sem perspectiva de recuperação e, o pior, mistura presos comuns á presos perigosos. A pena de morte ou pena Capital é pecado contra o Senhor e é passível de morte quem apoia(Espiritual). Afinal de contas, o seu Deus não tem poder para convence o pecado do pecado? Então porque pena de morte? Pense… A Paz de Jesus que nos salvos do corredor da morte.

  11. Rodrigo disse:

    Acho que o Brasil precisa de uma lei da morte pois as Cadeias estão Lotadas, cheio de pessoas perigosas, com a Lei estas selas poderiam estar mais vazias e muitas pessoas pensariam mais antes de cometer uma Chacina ou Simples assasinato, se ele não valoriza a vida do outro não mereçe Viver. Quem sabe um dia, Deus em 1º Lugar e por um brasil seja mais seguro….. é somente isso que importa.

  12. EDAZ disse:

    eu nao duvido que aquilo o que foi retratado no filme gamer seja realidade daqui um tempo ou seja as pessoas condenadas participarem de um reality show mortal em troca da liberade

 
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