Colunistas

Resgatando a paternidade integral – Parte 1

Todo filho quer “presença” antes de “presentes”

A presença dos pais na vida dos filhos é um bem insubstituível. Nenhuma ausência pode ser recompensada, substituída ou comprada, mesmo que você fique um mês brincando nos parques da Disney com seus filhos.

Isso tem a ver com o tempo. E, quando menciono o tempo, refiro-me a tempo com qualidade, tempo na hora certa – e não a sobra do seu tempo, quando você está cansado ou até mesmo irritado.

Quando tocamos no assunto do descanso semanal, muitos de nós imaginamos que o povo judeu apenas descansava durante o sábado. Mas em seu livro Tempo para viver, Hans Bürki ensina algo sobre o shabbat judaico, o sábado, e uma das coisas que mais chamou minha atenção é que ele descreve o ritual para esperar o shabbat. O judeu não esperava o sábado chegar para ficar com as pernas sobre um pufe vendo TV. Na sexta-feira, ele realizava todos os preparativos, deixava tudo pronto, tudo feito, comida, roupas de cama e mesa, roupas pessoais, para então ter um dia somente dedicado ao Senhor.

Assim, quando transportamos esse princípio do povo de Deus na Antiga Aliança para nós, povo de Deus na Nova Aliança, aprendemos a necessidade de também valorizar o tempo com a herança de Deus para nós, que são os filhos. Precisamos ver a educação de nossas crianças de modo mais responsável; precisamos ter em mente que nossa convivência com eles deve incluir, olhar em seus olhos, brincar os jogos deles, discutir os assuntos que são do interesse deles, pois essa, sim, é a companhia, a presença que faz a diferença.

Se você tem pouco tempo para dedicar a seus filhos, use-o de modo que você esteja com o pensamento centrado nas atividades que vocês estão fazendo juntos. Toda criança percebe quando você valoriza estar com ela e se interessa esse tempo que passam juntos: nós não conseguimos enganar nossos filhos. Portanto, preocupe-se em preparar um momento diário ou semanal para que seu filho saiba que vai encontrar você quando esse momento chegar. Crie o hábito, faça disso um lugar seguro e agradável para ele. E se precisar, incremente sua relação surpreendendo-o, dando a ele “mais presentes”, ou seja, “criando mais espaço na sua agenda” – espaços em horários que ele não esperava, mas que você criou com amor, pensando nos benefícios emocionais que isso vai trazer a quem saiu de suas entranhas.

Veja o que a Bíblia diz em Deuteronômio 6.6,7: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te”.

A orientação que Deus estava dando a Moisés era para que ele instruísse os israelitas a serem educadores de seus filhos. Toda criança era educada na primeira infância por sua mãe e na adolescência ela passava a ser instruída por seu pai, que a introduzia na sociedade quando se tornava um jovem. Havia, e há ainda hoje, uma cerimônia para marcar essa passagem: o Bar Mitzvah.

Uma vez que pai e mãe tem papéis definidos na educação de seus filhos, isso significa que não há como educá-los e nem torná-los nossos discípulos, se não houver investimento de tempo. Você conhece algum meio de educar e discipular sem investir tempo? De fato, não existe.

Repare a abordagem pedagógica que Deus apresenta a Moisés: falar andando, falar ao deitar-se, falar ao levantar-se, falar assentando-se em casa com os filhos. Veja que discipulado constante de pai para filho, a todo momento, em todo lugar! Isso tem a ver com tempo de qualidade a que nos referimos.

Certo dia, um pai entrou no quarto do seu filhinho e surpreendeu-se ao ver seu filhinho ajoelhado à beira da cama, fazendo uma oração no mínimo diferente:

Senhor, faz de mim uma televisão. Senhor transforma-me num aparelho de televisão, para que meu pai passe tanto tempo comigo como ele passa em frente à TV.; para que meu pai olhe mais para mim, como ele olha tão fixamente, demoradamente para a televisão; para que ele se preocupe comigo assim como ele se preocupa com a televisão, que, quando quebra, vai logo para o conserto.

A presença dos pais na vida dos filhos é insubstituível. O tempo é a moeda de maior valor que possuímos na nossa relação com eles. Guarde isso em seu coração: escreva num bilhete e coloque sobre a sua mesa, cole no monitor de seu computador pessoal.

O seu amor é demonstrado pelo investimento de tempo que você faz na vida do seu filho. Se dissermos que o amamos, mas não passarmos mais que dez minutos por dia com eles, que avaliação será feita sobre esse amor? Se você diz que o ama, mas não tira tempo no final de semana para os seus filhos, investindo tempo com qualidade, que nota vai receber deles?

Desculpe-me, mas, se é isso o que acontece, receio que você não o ame. E o meu receio se justifica, porque quem ama investe a moeda de maior valor chamada tempo.

― Quanto tempo diário você dedica aos seus filhos?

― Quanto tempo você dedica aos seus filhos no final de semana?

― Qual é o dia da semana em que você reserva um tempo para dar atenção especial aos seus filhos?

A Palavra do Senhor diz em Salmo 128.3b: “… em volta da mesa, os seus filhos serão como oliveiras novas”. Perceba nesse versículo a ênfase em uma situação aparentemente tão corriqueira, mas que pode ser transformada num exercício inicial para que você e seu filho comecem a passar mais tempo juntos: em volta da mesa. Combine, por exemplo, de ter uma refeição por dia com seu filho. Programe-se para dedicar mais tempo, tempo com qualidade, a quem ama você.

Visite nosso site: www.amofamilia.com.br

Pr. Josué Gonçalves

Pr. Josué Gonçalves é terapeuta familiar, pastor sênior do Ministério Família Debaixo da Graça - Assembleias de Deus em Bragança Paulista – SP, bacharel em teologia, com especialização em aconselhamento pastoral e terapia de casais, exerce um ministério específico com famílias desde 1990.

Veja outros artigos deste colunista

5 comentários

  1. Fagner Chagas disse:

    “Desculpe-me, mas, se é isso o que acontece, receio que você não o ame. E o meu receio se justifica, porque quem ama investe a moeda de maior valor chamada tempo.”

    Belíssimo texto! Sou filho e vivo, lamentavelmente, essa situação. Essa paternidade de muitas palavras e poucas (quase nenhuma) ação. Porém, peço a Deus q cure as feridas de minha alma e entrego essa relação nas mãos D’Ele. Já fiz de tudo para melhorar nossa relação, mas, sozinho, é impossível.
    Abs.

  2. Michel disse:

    Amados(as)! Sou prova disso, assim como muitas outras pessoas, conheci meu pai com 9 anos e após isso tive muito pouco contato com o mesmo, e só eu e Deus sabemos o quanto isso além de deixar minha alma ferida por muito tempo, dificultou meu relacionamento, minha intimidade com Deus após minha conversão, por que eu cresci sem à figura de um pai e não demorei a entender o lado PAI maravilhoso e incomparável de Deus!!!! Deus abençoe a todos grandemente!

  3. Pastor Josué Gonçalves, concordo plenamente com essa abordagem feita sobre o assunto: ” presença antes de presentes.” Filhos necessita prioritariamente de afeto, e presença dos pais; e não de bugigangas enganosas!

  4. SAMUEL GREGORY disse:

    Muito bom… Isso é real. Fez falta para mim como filho em vários momentos. Hoje não sinto muita falta do meu pai, porque fui acostumado a isso quando criança, e adolescente. Hoje ele me busca muito, mas não sinto tanta falta dele quanto ele de mim, mas estou me esforçando, e creio que o Senhor está restaurando meu relacionamento com meu pai.

  5. eduardo disse:

    Maravilhoso esse ensinamento… foquem com DEUS…

Comentários encerrados.