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23/09/11 - 03:21
Por: adminvg

Obesidade Infantil: Culpa das gorduras ou da família?

Uma pesquisa feita pelo cientista Daniels e colaboradores (2005) descreveu que o aumento exacerbado de qualquer substância, produto ou alimento pode provocar a formação de uma reserva. Este fato também é possível de acontecer no corpo humano, e assim, contribuir para o desenvolvimento da obesidade. Alguns estudos confirmam esta hipótese, como o de Goran e colaboradores (1998) mostrando que o excesso de peso está atribuído a um inapropriado e excessivo consumo de alimentos, e também, o trabalho de Zanolli e colaboradores (1989) que relacionou o desenvolvimento da obesidade com a baixa quantidade de exercícios realizados.

Por conta deste aspecto, um grupo de investigadores buscou desvendar, de modo mais fidedigno, se a ingestão de alimentos calóricos poderia induzir o ganho de peso em crianças, independentemente de outros fatores. Neste sentido, Thompson e colaboradores (2004) acompanharam 101 crianças de 8 a19 anos, buscando observar a relação entre a ingestão de alimentos em lanchonetes e restaurantes e a modificação do Índice de Massa Corporal (peso(kg) / estatura(cm)2), da infância até a adolescência. Esses autores concluíram que as meninas que comiam fast foods (alimentos ricos em gorduras saturadas, gorduras trans e carboidratos simples) duas ou mais vezes por semana, apresentaram maior elevação do IMC ao longo do tempo.

O relato anterior deve ser encarado com preocupação, pois St-Onge e colaboradores (2003) descrevem que houve um aumento exacerbado do consumo de fast foods entre 1977 e 1996, além de mudanças nos hábitos alimentares influenciados pelos estabelecimentos que comercializam estes alimentos. Nicklas e colaboradores (2004) desconfiam que o crescimento no consumo de fast-foods poderia explicar em parte, o crescimento da obesidade infantil.

Deve ser destacado, que a composição da grande maioria dos fast-foods e dos alimentos voltados ao público infanto-juvenil não é composto de gorduras, como muitos acreditam, mas basicamente de um tipo de nutriente que é muito perigoso para o desenvolvimento da obesidade, representado pelo carboidrato simples de alto índice glicêmico (velocidade de entrada na corrente sanguínea). Isso pôde ser evidenciado em um estudo conduzido por Troiano e colaboradores (2000), onde verificaram que tanto o consumo de gorduras saturadas quanto o de colesterol exibiram reduções consideráveis de 1970 até 2004. Entretanto, mesmo com a redução desses nutrientes (gordura e colesterol) observou-se uma discreta elevação mundial da obesidade infantil no mesmo período. Mas houve um aumento considerável no consumo de alimentos ricos em carboidratos simples e com alto índice glicêmico. Os principais representantes desse grupo de alimentos são os refrigerantes, pães, bolos, biscoitos recheados, balas e doces em geral, onde os refrigerantes (bebidas carboidratadas) merecem destaque, por serem os mais consumidos especialmente por crianças.

Outro fator muito importante a respeito do desenvolvimento da obesidade é que a atitude familiar pode influenciar e até mesmo determinar os hábitos alimentares das crianças, por isso, os pais precisam ter uma grande atenção e responsabilidade sobre os alimentos que os filhos estão tendo acesso. Bell e colaboradores (2004) demonstraram uma atenção especial para este fato, observando o comportamento alimentar das crianças no ambiente escolar, através do tipo dos alimentos levados nas merendeiras. Foi relatado que havia um consumo muito grande de alimentos não saudáveis, em que as tortas, batatas-fritas, refrigerantes e sucos industrializados foram os principais representantes.

A partir deste estudo pode ser concluído, que atualmente os pais parecem não estarem preparados para educar nutricionalmente seus filhos, sendo os primeiros a contribuir para um péssimo hábito alimentar. Como exemplo, destaca-se os alimentos oferecidos como merenda escolar, descritos no estudo anterior. Esses fatos evidenciam, que a educação alimentar e a inserção do estilo de vida saudável realizada dentro da família aparentam ser uma das principais ferramentas de combate à obesidade e isto é reforçado na pesquisa realizada por Campbell e colaboradores (2006).

Em conclusão, observa-se que os maiores influenciadores da obesidade infantil no aspecto nutricional são os carboidratos simples e de alto índice glicêmico, Já no que diz respeito ao âmbito familiar, destacam-se a falta de orientação dos pais sobre os alimentos que devem ser consumidos e os hábitos não-sedentários que devem ser praticados pelos filhos.

 

Anderson Luiz B. da Silveira

PhD Student

 

9 Comentários

  1. É complicado apontar quem tem a culpa, mas mais complicado ainda é que muitos pais hoje em dia não têm se preocupado em colocar limites aos próprios filhos.

  2. Muryllo Lopes disse:

    Em primeiro lugar gostaria de parabenizar o Anderson Luiz pelo belo texto aqui exposto, muito bem escrito e muito bem argumentado.
    Em segundo lugar o alto índice de obesidade infantil somente vem revelar a sociedade consumista em que vivemos, em que tudo se pode, tudo é permitido, causando assim um dos grandes males do presente século. A família como é a base de tudo tem por obrigação educar seus filhos em todos os aspectos, inclusive na alimentação, porém existe um fator intrigante, a maioria das famílias possuem maus hábitos alimentares, e consequentemente leva a criança a ter maus hábitos também.

  3. Anderson Luiz B da Silveira disse:

    Caros leitores, muito obrigado pelo interesse e contários a respeito do artigo!

    Gostaria de evidenciar que a qualidade dos alimentos em relção a agrotóxicos e homônios estão diretamente relacionados ao desenvolvimento de doenças como câncer, distúrbio cardiovasculares e etc. Contudo, em relação ao desenvolviemnto da obesidade o que mais interfere como puderam observar no artigo é a composição do alimento, especielmente aqueles ricos em carboidratos simples! E não devemos esquecer que quem faz as escolhas pelos alimentos somos nós (pais, tios, avós) .

    Mas concordo que existe uma força do governo para culpabilizar os indivíduos pela obesidade, quando o estado deveria ser o grande responsável por garantir acesso a todos à atividade física e melhoria da qualidade de vida de uma maneira mais abrangente e não só limitar a simples atividades ministradas em algumas praças públicas e em horários praticamente inacessíveis a maioria da população!

    Todavia, o foco do artigo foi baseado no que está mais próximo de todos que é a família! E esse pode ser o maior passo inicial que poderemos dar para nossos filhos!

    Grande abraço a todos e continuem escrevendo!

  4. line disse:

    eu penço na minha greração espero que Deus o proteja

  5. Muito boa esta reportagem, que sirva de alerta para procurarmos comer produtos mais saudaveis.
    entre no site http://www.fiqueemforma.net e consulte como esta o seu (IMC)

  6. Carlos Alberto Soares disse:

    Alguns pais não estão preparedos para ser pais, nem na parte nutricional, nem na educação e deixam para a escola; ao qua, alguns alunos agridem professores…

  7. Maristela disse:

    Concordo com marcus, realmente hoje em dia é difícil, comprar algo puro, sem agrotóxico, até a água está contaminada. penso na geração futura, como será?

  8. marcus disse:

    Em relaçao a esse tema, eu vejo a midia de massa sempre jogando toda a culpa para a pessoa, devido aos pessimos habitos alimentares, a vida sedendaria…
    Mas será que… ninguém esta esquecendo de nada?
    Pois bem, o alimento que nos ingerimos hoje é completamente diferente de 30 ou 40 anos atras.
    Na roça, uma ave so fica pronta para o abate com 120 ou 150 dias; mas nas cidades os “galetos” sao abatidos em 38 dias. Mágica?. Nao , sao os hormonios e outras substancias que nem imaginamos.
    Mas claro que isso já mais será dito abertamente em um veiculo de massa como a tv aberta.
    Já pensou nos interesses que vao ser contrariados: multinacionais do setor alimenticio.
    Entao, vamos continuar apenas colocando a culpa no individuo…

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